2008: o triplo A que era lixo
4 min de leitura · trilha Bolhas e manias
A bolha de 2008 tinha um axioma no centro: "preço de imóvel nunca cai no país inteiro ao mesmo tempo". Em cima dele, Wall Street empilhou hipotecas de qualidade duvidosa em pacotes (CDOs) que as agências carimbavam com nota máxima — AAA, o selo de "seguro como título do Tesouro". O mundo inteiro comprou: fundos de pensão, bancos europeus, todo mundo. Quando os imóveis caíram no país inteiro ao mesmo tempo, o axioma — e o selo — viraram pó.
A quebra do Lehman Brothers em 15 de setembro de 2008 quase travou o sistema financeiro global. O S&P 500 caiu 57% do topo de 2007 ao fundo de março de 2009 — e o estrago não pediu passaporte: o Ibovespa despencou cerca de 60% em poucos meses, mesmo com o Brasil longe do epicentro. Em crise de verdade, "não tenho nada a ver com isso" não protege ninguém.
De 2008 ficam três marcas: risco sistêmico é o risco de o PRÓPRIO sistema travar (diversificar entre ações não resolve — é pra isso que existem a renda fixa e o colchão); selo de segurança não substitui entender o que se compra; e a resposta dos bancos centrais (juro zero, QE) abriu a era seguinte — que a trilha da moeda conta, e que desaguou na inflação de 2022.
Trilha Bolhas e manias · 9 lições
- 1637: a tulipa que valia uma casa
- 1720: a bolha que enganou até Newton
- 1929: comprando com 10% de entrada
- Anos 70: as ações "de decisão única"
- 1989: o Japão compra o mundo (e espera 34 anos)
- 2000: a internet estava certa — o preço, não
- 2008: o triplo A que era lixo
- 2021: o cassino no bolso
- A anatomia: o padrão que se repetiu 8 vezes
No app (grátis), esta trilha vira uma jornada com quizzes, progresso salvo e lições interativas com documentos reais da SEC e da CVM.
CRIAR CONTA GRÁTIS →Conteúdo exclusivamente educacional — informação e método, não recomendação de investimento.